terça-feira, 14 de julho de 2009

Escrever pra mim...

Madrugada cheia de pensamentos. Depois de algum tempo, quando se vive a dois, se descobre que, definitivamente, esta não é a melhor hora para estar com a cabeça dominada pelas idéias. É que mesmo ali colado em você, aquele que te ouve o tempo inteiro, já não pode te ajudar. E você não deseja, de modo algum, interromper um sono tão merecido e necessário para o dia seguinte. Afinal, quem irá dedicar os sábios ouvidos pra você amanhã?
Comigo tem sido assim há quase quatro anos e não tenho do que reclamar.
O único problema é que os pensamentos insistem em minha mente como menino birrento. Não sei o que uma mãe sensata faz nesta hora, mas no meu caso o único jeito, então, é sair de fininho, abandonar a cama e ir direto para o computador. A caneta e o papel antes eram perfeitos nesta hora, mas hoje me dão sono.
Só que desta vez saí da cama sem remorso, sem medo de atrasar amanhã para o trabalho depois de passar da hora. É que hoje vim escrever pra mim, como nunca mais tinha feito.
Não são pautas, nem contas a pagar, muito menos problemas do condomínio que me trazem tanta inquietação. É vontade pura de escrever pra mim, só isso. Puxa, há muito tempo não faço isso!
E sabe o que me motiva agora? É a sensação inédita de estar GERANDO...isso mesmo, GERANDO, com G maiúsculo!
É a imagem do último ultra-som que não me sai da cabeça. Com pouco mais de 11 semanas de gravidez tem um coração forte batendo dentro do meu ventre. Um bebê com braços e pernas, cabeça, mas com cerca de cinco centímetros.
Existe alguém que eu ainda nem sei quem é, se menino ou menina, que depende totalmente de mim. É um novo ser que está entregue a sorte dos meus atos, do que eu sinto e até de como eu me alimento. É assustador pela responsabilidade que se cria, mas ao mesmo tempo é mágico e divino.
É o milagre da vida que sempre desejei e agora está acontecendo em mim. É a minha vez. Diga-me se isto não é de perder o sono?
Pra encerrar, já que por esta nova vida que há em mim também preciso me preocupar em dormir bem, só quero dizer mais uma coisa: que por esta nova vida estou pronta para fazer TUDO e mais um pouco que for preciso!

P.S Este texto não vai parar em nenhum jornal, muito menos virar off de TV, mas quem sabe se eu guardar com carinho, meu filho(a) não poderá ler quando crescer? Só por isso já valeu à pena sair da cama e escrever ...escrever só pra mim!

João Pessoa, 11 de maio de 2009. 03h29 - madrugada de domingo, meu primeiro Dia das Mães!